Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Lei de Gerson no Tarot.



Entrei na onde de jogar Tarot pela Internet. É simples. Você entra em um site, embaralha as cartas com um click no mouse, as cartas realmente embaralham, e você vê aparecer no monitor o jogo mais arquetípico e milenar da história, tudo on-line. Você olha, e realmente é a carta do “Ceifador”ali. É incrível. Uma arte que passou de mão-em-mão através dos povos do Oriente, levada à ferro-e-fogo na Idade Média(pessoas eram queimadas), resplandecente dos ares Etruscos e das moedas de ouro das ciganas, bem ali, on line.

Me pergunto se a presença física não se faz necessária.Afinal a cartomante é uma figura respeitável por sua emanação e foram responsáveis pela Segunda Guerra Mundial, conquistando o respeito de Adolf. Achava que olhar nos olhos da operadora fazia parte da coisa toda. E minha resposta é não. Quase sempre bate. Sendo assim, os fluídos também são emanados via servidores. Certo?

Mas que tudo hoje em dia soa confuso pra mim que cresci lendo Chiclete com Banana e Rimbaud. Bebia Old Eight aos 14 e minhas revelações espirituais passeavam nesse esquema. Mas mesmo na época, jogar Tarot era algo que provoca medo e temor, curiosidade e respeito. Era algo que um amigo do amigo do seu primo jogou com uma cartomante em um shopping e saiu a carta da “Morte” e depois a pessoa morreu mesmo, 10 anos depois. Mas a Portadora da Arte estava lá.

Jogar Tarot naquela época era vivenciar a experiência de se estar com uma mulher que guardava segredo pra lá de orientais, mongóis, até. A barraquinha...o incenso...o olhar de gato preto...o kashimir avermelhado...as mãos enrugadas e o cheiro de almíscar rançoso cobrindo cristais pra lá de duvidosos. Isso era a verdadeira experiência Tarot.

Mas, não. Hoje não. Hoje eu jogo Tarot porque a Embratel permitiu que a Telefônica desvendasse o meu futuro. E isso abre novas possibilidades bem brasileiras, e nada Tibetanas.

Olha só:

Hoje me sai a carta do “Eremita”. A figura está lá, ok. É o mesmo Velho do Rio do Nilo de sempre. Isso não mudou, assumo. Eu dou o click e aparece a interpretação. É essa aqui:

“O arcano IX, chamado “O Eremita”, emerge como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Rapha, sugerindo um momento em que você precisará agir com o máximo de maturidade e paciência possíveis. Você precisará aprender a respeitar o “tempo certo” neste momento de sua existência e perceberá que será preciso bater mais do que uma vez na mesma porta até que ela se abra.”

Leia-se: Fique em casa. Até porque o Eremita indica um recolhimento interior.

Como vira, o Tarot on line me chama de Rapha. Isso me arrepia até a espinha. Mas o que mais me deixou desconfiado de mim mesmo foi a facilidade para se arrumar justificativas psicológicas quando não sai a carta com a vibe que se espera. Afinal, quando se joga Tarot on-line, não sentimos a austeridade anciã da velha bruxa. Tudo é permitido. Meu notebook averatec não me joga olhares de sabedoria egípcia.

Estou louco pra sair e tomar um porre( uma agrado que meu fígado se recusa à satisfazer. Fico mais de ressaca por causa de um pastel do que por uma noite de longa jornada de bebedeira noite adentro), e o Ermitão me diz que seria bom ficar em casa e refletir. Portanto, por mais que eu acredite na Arte e no próprio Bom Velhinho do Nilo nesse momento, outra parte de mim diz:

São Paulo é minha caverna, portanto, sair e tomar um porre não deixa de ser uma “Eremitage”. Isso é Gerson. Uma nova maneira de dar uma garrinchada na sabedoria dos velhos de guerra do Mediterrâneo. E, tenha certeza, Gerson não fumava no intervalo dos jogos na frente do técnico.

Vou ser Eremita e já volto. E de táxi, que a terceira-idade merece transporte público gratuito.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Colméia













Me aparece você.
Continuas com a boca de colméia desejada

por um Urso que só sabe ter vontade...

de lamber.

Que faço eu se gosto

de como sorri assim...

como quem nada faz ao mundo,

como se pedisse desculpas

pela própria melada volúpia...?

e se divertindo com a coisa toda.

Com as coxas abertas, garota.

Mel, toda.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Respiração













Quando a morte dissipou

A minha respiração

Redonda volta de ante-mão

Mas eis que veio em Cristal a Deusa

Cristal em bolha de sabão.

Pelo motivo da morte me querer de coração

Pelo próprio atravessou

E parou de frente à boca

Limite de abismo em linha louca

A deusa me soprou de volta

De volta à mim a sua canção.

Quando a morte me fez volta

Em flerte de estoque e encenação

Me pedindo por favor

Minha alma pela mão.

Sopro forte, bem em cheio

Toma rédea um furacão

Luz inunda meu pulmão

De volta agora sem razão.

Quase-morte, bem sem sorte

Parte em raiva pelo encoste

Sem minha vida pelas mãos

Quase corpo, breu de morto

Ladrão de dourada sensação ...

Mas Deusa veio e sobreveio

De volta agora na respiração

Sempre volta, sempre volta

Como bolha de sabão...

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Esporro de Vento.







...




















Com muitas mãos assassinas que não dormem a noite

Contruo a engenharia da punheta da alma ordinária.

Com os ares de roda karmica sedentária

Constando contra movimentos sutis da harmonia safada

faço corpo sem ar que entra em uma sala

Onde a lua não cede umbral.

Mesmo à noite, quando mesmo a mão que fala

Insiste em elevar meu falo

até ouvido que não escuta nada

a ser jorro à Deus-Pai encostado.

Meu caralho é um cachorro-gato alado

chega até o portal de entrada

De um drive-in com entrada controlada.

Faço ali mesmo lasciva morada.

Com você , minha querida sonho eterno antigo amor secreto

enfadonho despertar na abertura de um armário

deita cerveja e coca-cola

Mais coca, que cola

sola de sapato que assola

amor por anjo vadia de antiga escola

onde livros eram só arranjos para as coxas

vento espiral de almas várias

Contem sussuros e gemidos

Cantos e árias

Salafrarias canções de escolas primarias

Minha falcudade se atola em um abismo de falta de letras

E claustrofóbicas salas.

desejo oprime minha virilha

a respiração diz não.

Nada de paraíso ou consolação

Meu espírito vai à Deus agora

Que julga Rei-Broxa em um apartamento do centro.

Minhas faltas de miojo de anjo

excesso de samambaias-coentro....

O meu/teu que nunca haverá de ser rebento.

Fora os que cospem dragão de fogo em banheiro

Que se faça pequena sorte de alento

O que porra queira dizer esse, os antigos,

os outro já dissolvidos eventos:

Esporrento!

esporrento catavento!


Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Navegar é preciso.




O sexo feminino e seu corpo, tanto do proprio sexo como toda a vasta campina e seus oceanos, do Ocidente ao Oriente, devem ser a causa e o objetivo máximo de qualquer ímpeto masculino e dos homens espalhado por essa terra. Na existência peregrina do macho, tudo deve se resumir em deitar as maças do rosto próximo da virilha de uma mulher e se deleitar com a proximidade do eterno retorno. Eu acredito que qualquer empreitada, plano, almejo, discussão de caça e pontaria deve ser exclusivamente viagem em direção ao sexo das Deusas. O macho perde seu destino andarilho com missões de perdição em grupo. Como os macacos em gritos e assovios, dando pauladas um nos outros, trocando odores de macho uns com os outros, estúpidos e orgulhosos. Miseráveis e perdidos. O encontro do deleite no corpo feminino é nossa causa única. Nada antes, ou além disso. Já que a carne se esvanece no tempo estilhaçado do caixão silencioso, depois dos anos de atos patéticos e paixões estéreis, a verdadeira união do homem com a Divindade acontece no cheiro almiscarado e doce da concha secreta da fêmea. A femealidade nos entorpece em seu champagne telúrico, embriagando-nos.

Qualquer plano masculino, só ou em grupo, qualquer operação e despêndio de tempo e esforço deve ter sua linha trêmula traçada em direção ao sexo. Ao contrário, é naufrágio. Seria como Cabral, em um barco tosco e inflado de cuecas sujas,deslanchando em direção às Índias atrás da suave Noz-Moscada, só pra acabar no fiasco de uma terra cheia de madeira vermelha que só suja as mãos.

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

"Encostado"




"Quem é o outro que sempre anda a teu lado?
Quando somo, somos dois apenas, lado a lado,
Mas se ergo os olhos e diviso a branca estrada
Há sempre um outro que a teu lado vaga
A esgueirar-se envolto sob um manto escuro, encapuzado
Não sei se de homem ou de mulher se trata
- Mas quem é esse que te segue do outro lado?"

"A Terra Desolada"


T.S Eliot

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Poema Arrogante

...

Eu respiro como alguém
Que se joga
com arrogância contra a própria atmosfera.

A Pressão nada me faz
A não ser rir do desperdício
Da imensidão inútil dessa esfera.

Passei por meses, anos, eras.
Nada que me diz a luz nos olhos me convence que são feras
Esses corpos andantes, gargantas pensantes...
Nada me faz sair e entrar na sombra que me espera.

Meu rodopio é um cardume de quimeras.
Acomete sem desejo
Ao não ser o que não arde
Só por chamas bem sinceras.

Entro com elegância pela tarde
Suspendo os ferros em passos quietos
Desfaço laços que apertam
E os vazios que arrebento
São preenchidos pelo vento
De ares mais espertos.

Nada quero à ver com esquecimento.
Puxo cenas bem tardias
Mesmo as que me arrepia
E faço festa com lamentos.

Do dia, pego o que é de meu temperamento.
Roubo sexos nos varais
De mulher que outro traz
Aos braços à minha oferta
E se vontades tais
Viram gemidos de morais
É por questão de momento.

Na Lua, umbral, jogo luz que arromba
Pretensões quietas de morna escuridão
E deixo a sombra com o cú na mão
De calça curta e arriada
Pela meu Sol iluminada.

Não respondo à ninguém e a nada.
Se falo sobre o intimo, é nos gritos da Antifada
Que faço sobre uma cidade boçal
Que só por vontade minha
E, mesmo, só por tédio meu
Tirei anjo de ateu
E vaca de fada malfadada.

No perfeito equilíbrio do meu Tudo
Desequilibra, arrogante,um Nada tesudo.


...